quarta-feira, 20 de junho de 2012

Projeto sobre cordel



TEMA
            “Biblioteca Escolar e Mídias: O cordel e as múltiplas possibilidades de aprendizagem no 5º ano do Ensino Fundamental.”
Brasil, país de futuro,
Aonde já no presente,
Precisamos plantar letras
Nas terras férteis da mente,
Tal plantação, se bem-feita,
Amanhã boa colheita
Advirá, certamente.
Manuel Monteiro
 
É sabido que a biblioteca é um suporte indispensável numa escola, devendo estar definida na estrutura do estabelecimento de ensino, tendo normas de organização e funcionamento claramente definidos que venham a facilitar o ensino e a aprendizagem, fornecendo materiais adequados tanto para o aluno, quanto para o professor e demais elementos da comunidade escolar.
            A biblioteca caracteriza-se como ponte facilitadora do processo educação, onde as pessoas podem apropriar-se do passado através da mídia impressa (livros), aprender a desafiar o presente e criar condições de projetar-se no futuro. É importante que nela o usuário possa vivenciar leitura sem que a mesma seja imposta. A oferta deve ser ampla, sem intenções de torna-se exclusivamente utilitária ou pedagógica, deve ajudar as pessoas a desenvolverem a gosto e o prazer de ler, a pesquisa em um clima de liberdade e ludicidade.
            Baseando-se nestes pressupostos, e mediante o desafio da escola que é o de possibilitar a melhoria do processo de ensino - aprendizagem com base no indicador da apropriação da leitura e interpretação e consequente produção escrita, objetivos propostos no Projeto Político Pedagógico, pretendem-se desenvolver um projeto estratégico na Biblioteca da Escola Municipal Professor Arnaldo Arsênio, envolvendo os alunos do 5° ano do Ensino Fundamental nos meses de maio, junho e julho, com intuito de realizar um trabalho consistente possibilitando práticas que viabilizam a reflexão acerca da literatura e da pesquisa, tendo como objeto de estudo o cordel com suas possibilidades múltiplas de aprendizagem visando reduzir em 20% o índice de alunos sem domínios satisfatório da leitura e escrita, considerando o nível em que se encontram oferecendo o apoio adequado às atividades realizadas em sala de aula ampliando suas possibilidades para promover avanços nos processos de leitura e escrita pelo menos parte dos alunos envolvidos no projeto.
            Sob esse olhar, o projeto possibilitará que os educandos se encantem com literatura de cordel contada de maneira simples à vida do sertanejo, o amor, a liberdade, a natureza, o folclore, a política, religião, enfim, todas as manifestações importantes na vida do nordestino e do Brasil em prosa e verso.  Elementos que nos permitirão reunir as bases para desenvolvermos o projeto centrado principalmente nas vivências do aluno quanto á: Acontecimentos, fatos políticos, artísticos, lendários, folclóricos ou pitorescos da vida como ela realmente é, baseados nos temas transversais como a ética, pluralidade cultural, consumo, meio ambiente e nas possibilidades educativas assim como outras manifestações artísticas e culturais para que os alunos se apropriem dos conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais a partir dos seus conhecimentos prévios, com ênfase no tratamento metodológico respaldado também nos PCNS de maneira significativa.
Ao propor este trabalho para os alunos em sala de aula, estaremos oferecendo um leque de recursos que os ajudarão nas carências acima citadas, apreciação artístico-literária e um universo para a socialização e cidadania, principalmente, no campo da Literatura, devido o cordel ser um material relevante para compreender a realidade no que se refere á: De que esse povo sorri? Que aspectos da sua condição humana aparente são criticados/ridicularizados? Como eles podem ser retomados na aprendizagem escolar? Em que medida essa aprendizagem pode servir para que os alunos melhor intervenham na sua realidade? Assim como o próprio módulo diz: Enquanto professores precisarão olhar para fora da escola e tentar identificar as trajetórias de leituras dos nossos alunos.
            A preocupação com a interdisciplinaridade também é uma característica desse projeto, onde as atividades propostas deverão perpassar as várias áreas do conhecimento, buscando ampliar a capacidade de pensar, criar e recriar suas próprias leituras de cordéis.

Portanto, para a efetivação dos objetivos propostos, lançamos mãos da dialética por se tratar de um método de mudança qualitativa da quantidade a qualidade. Levando a interpretação dinâmica totalizante da realidade social e por constituir na categoria fundamental para aproximação do real, fator relevante para efetivação dos cordéis e da aprendizagem. Também é necessário buscar parcerias e apoio dos gestores, professores e comunidade escolar, assegurando as condições de desenvolvimento das ações em cada etapa.

APRESENTAÇÃO

          O projeto “Biblioteca Escolar: Possibilidades de aprendizagens com o estudo do cordel” é relevante pra o contexto escolar da Escola Municipal Professor Arnaldo Arsênio de Azevedo no que concerne a melhoria do processo de ensino - aprendizagem com base no indicador da apropriação da leitura e interpretação e consequente produção escrita devido a Biblioteca ser um baluarte acervo literário capaz de oferecer condições favoráveis para formação de leitores e a literatura de cordel através de suas várias possibilidades pedagógicas, com seus folhetos de cordéis nordestinos e com seus múltiplos temas e expressiva composição poética carnavalesca, podendo desafiar o tempo e formar gerações de leitores com essa literatura que é tão valorizada em praças públicas ou sendo declamados nos diversos cantos do Brasil.
        A partir dessa visão, desenvolveremos atividades na escola acima citada, com os alunos do 5º ano, nos meses de maio, junho e julho numa perspectiva de que o trabalho possibilite o envolvimento dos alunos com a literatura de cordel através de alguns temas transversais, de maneira interdisciplinar a priorizar os conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais e o contexto do cotidiano dos alunos nas suas produções em forma de riso.
       Para isso, sensibilizaremos e encantaremos alunos com a apresentação e o contato inicial dos alunos com os folhetos em corda para a apreciação de sua estrutura (imagens, formas, etc.); os quais irão conhecer a história do cordel através e localização nos mapas onde a literatura do cordel é mais presente e outras histórias, ao realizarem pesquisas na internet histórias de cordéis e cordelistas; utilizando os recursos de hipertextos e formatação; explorarem os elementos gramaticais fundamentais da literatura de cordel através de slide; como também realizarem entrevista com poetas da terra relacionados ao cordel e a vida artística dos poetas; seguindo com produções de textos utilizando-se dos recursos literários do cordel que a eles foram repassados; utilizando a confecção de cordéis através da xilogravura no isopor e almofada de carimbo, fotografia e produção final no computador e por fim a culminância do projeto com a exposição dos trabalhos elaborados pelos alunos, para comunidade escolar através de utilização de varais presos com prendedores de roupa para apreciação do público, cantoria de cordel e cartazes informativos sobre a literatura de cordel com intuito de promover uma maior valorização da cultura do cordel por parte da comunidade escolar.
Portanto, adotaremos critérios de avaliação de forma processual no que se referem à participação, produções para que possibilitem favorecer os ajustes imediatos para garantir a construção progressiva do conhecimento.

OBJETIVOS
OBJETIVO GERAL:

Ø  Possibilitar práticas de leitura e reflexão a partir de atividades com cordel, abrindo espaço para o conhecimento e resgate da cultura popular como forma de despertar o prazer pela leitura e o gosto pelas produções cordelistas.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
Ø  Sensibilizar-se com a cultura e história presentes no cordel;
Ø  Conhecer a origem do cordel, suas linguagens e os aspectos gramaticais de forma prática e lúdica;
Ø  Realizar pesquisas na Internet sobre cordéis e cordelistas;
Ø  Estimular o exercício da imaginação através das histórias contadas nos folhetos;
Ø  Proporcionar momentos prazerosos de encontro com a cultura popular;
Ø  Envolver os alunos em atividade de leitura respeitando seus interesses, necessidades, habilidades e capacidades;
Ø  Desenvolver atividades diversificadas de produção baseadas no gênero trabalhado;
Ø  Produzir um cordel sobre a história de cada um ou outro tema, mediante conhecimentos adquiridos;
Ø  Descobrir talentos no ambiente escolar;
Ø  Realizar culminância e exposições de trabalhos desenvolvidos pelos alunos na biblioteca;
Ø  Perceber a relevância da leitura em nossas vidas.

METAS
            Nessa concepção a biblioteca irá realizar um trabalho consistente, dinâmico, lúdico com os alunos do 5° ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Professor Arnaldo Arsênio de Azevedo, para dar suporte à formação de leitores e escritores através da exploração da linguagem das mídias, especificamente o Cordel, possibilitando ampliar o conhecimento de se próprios e do mundo que os rodeia, buscando atingir uma melhoria significativa no ensino e aprendizagem.
Buscam-se as seguintes metas:
Ø                         Reduzir em 20% o índice de alunos que se encontram sem domínio satisfatório da leitura e escrita, considerando o nível em que se encontram;
 Ampliar o índice de alfabetização das crianças até o 5º ano, oferecendo o apoio adequado às atividades realizadas em sala de aula, ampliando suas possibilidades;
      Promover avanços nos processos de leitura e escrita de pelo menos parte dos alunos envolvidos no projeto.

PROBLEMA OU QUESTÃO A SER RESOLVIDA OU INVESTIGADA
            No Ensino Fundamental, o eixo de discussão no que se refere ao fracasso escolar tem sido a questão da leitura e da escrita, gerando índices brasileiros de repetência nas séries iniciais segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) em Língua Portuguesa.
            Na nossa realidade essa questão não é diferente, é preocupante, apesar dos avanços significativos com a implantação da Escola Integral, os professores enfrentam dificuldades no processo de ensino aprendizagem, fatores que impedem que aconteça de forma satisfatória como: famílias desestruturadas, pais desmotivados e que não incentivam seus filhos nas atividades escolares, crianças com baixa estima, sem perspectiva de vida, influenciando na sua aprendizagem.
            Cientes de que a biblioteca apresenta-se como um instrumento relevante para dar suporte à formação de leitores e escritores, estimulando a pesquisa de informação em todas as áreas e o compartilhar de ideias e considerando que os alunos da Escola Municipal Professor Arnaldo Arsênio de Azevedo apresentam acentuadas dificuldades de leitura e escrita, busca-se responder a seguinte questão: É possível através de um trabalho sistematizado com o cordel na biblioteca levá-los a superar, senão totalmente, mas pelo menos em parte, essas dificuldades?

MÍDIAS E TECNOLOGIAS A SEREM UTILIZADAS
            O cordel faz parte da mídia impressa e é uma historia contada em forma de versos, com rimas, é muito usado na região nordestina do Brasil, para diversão, propagandas, divulgações, entre outros. É geralmente acompanhado de xilogravuras que são feitas artesanalmente, desenhadas e esculpidas na madeira (xilogravura). A xilogravura torna-se uma matriz e o desenho podem ser produzidas várias vezes.
            É chamado de cordel porque geralmente é vendido em praças e feiras, exposto em uma grande corda e preso com prendedores e madeira (como um varal). O poema ou verso de cordel quando apropriado por repentistas habilidosos, começa com uma chamada (mote), que é a introdução recitada por um dos cordelistas repentistas e os outros artistas populares vão dando continuidade e sentido à introdução que nesse caso acontece de improviso por artistas em praça pública.
            Existem muitas controvérsias sobre a origem do cordel. No entanto, independente do local onde se originou, sabemos que o cordel existe e existiu na França, como “litteratue de colportage”, na Espanha “pliegos”. Na Inglaterra folhetos semelhantes aos nossos, eram correntes e denominados “cochs” ou “catchpennies”. O cordel, independente do país que circula, tem a sua característica forte e o fato de estar ligado intimamente com acontecimentos populares, que conta histórias de vida de pessoas, sagas, biografias, circunstâncias, notícias, fatos políticos, divulgação de produtos, tragédias, acontecimentos cômicos, entre outros.
            O cordel chegou ao Brasil, via Portugal, trazido por colonizadores, sendo rapidamente incorporado pela cultura nordestina, espalhou-se por outros estados do Brasil, sempre ligado a tradição nordestina e suas histórias, sotaques, às vezes utilizando-se dos recursos da aliteração para marcar a tradição da fala nordestina nos versos “(...) Quando oiei a terra ardendo/qual fogueira de São João...”
            A apropriação dos versos de cordel pela escola é uma estratégia que marca talvez uma transgressão às regras rígidas e propedêuticas dos modelos tradicionais do ensino, abrindo passagem à inclusão da arte popular e sua pluralidade de idéias, a interdisciplinaridade, ao incentivo e valorização da criação cultural. A riqueza das produções cordelistas nos coloca diante da reflexão que só transgride quem sabe. Ariano Suassuana, escritor, professor, dramaturgo, novelista, secretário de cultura e cordelista, diz com simplicidade: “No sertão a gente fala muito e foi justamente desse falatório que tirei a inspiração para os meus livros”. Para isso, levar o cordel para a sala de aula implica em mostrar a vitalização do gênero cultural como ferramenta para a didática na educação. Nesse sentido, propõe-se investigar, aplicar e avaliar o cordel como ferramenta de trabalho pedagógico, estabelecendo um elo entre os educandos e a cultura popular brasileira por vezes inexistente na educação.
            Portanto, os trabalhos devem ser desenvolvidos de forma a estabelecer a motivação em relação a esse aspecto da cultura popular e organizar todo um processo de aplicação e estímulos e direcionamento ao fator principal que é apresentação do conhecimento da origem e fruição da literatura de cordel de forma carnavalesca, abrindo espaço para produções a partir da sua história de vida. O gênero “Literatura de Cordel” expressa em seus versos  traços marcantes da diversidade cultural presente na sociedade brasileira: cada região tende a proclamar seu modo de viver, seus costumes, suas crenças em produções características de sua região. A primeira e mais importante constatação a respeito desta poesia, é que ela é uma expressão cultural do povo. Utiliza-se de sua linguagem, sua visão de mundo, seus problemas, suas lendas e seu cotidiano. A falta de sensibilização e de reflexão sobre a diversidade cultural e estética da cultura regional favorece o distanciamento do aluno de suas raízes histórico-geográficas, propiciando um processo de alienação cultural. Entendemos que, nos meios escolares, a Literatura de Cordel deve ser valorizada, representando essas características que compõem a identidade de cada região e a espontaneidade da Arte Popular.
            Segundo o Módulo A imagem na Mídia Impressa:
Os suportes que em última instância recebem as propriedades fotoquímicas de uma fotografia estão marcados por traços visuais feitos por um desenhista e por movimentos dos corpos e da realidade realizados por um diretor de cinema. Por extensão, os dados visuais que caracterizam o modelo fotografado (no caso da foto), a forma figurativa e esquemática que marca a imaginação de quem desenha (no caso do desenho) e os objetos da realidade filmados (no caso do filme). Portanto, uma dada imagem só passa a existir, seja a imagem de um filme (película), xilogravura (papel, após ser talhada) ou charge (papel de jornal ou revista), quando há um suporte que a sustenta, assentando e firmando suas características visuais.
            Sendo assim, os suportes são capazes de receber e conservar a inscrição de um texto ou imagem, na sua especificidade em graus diferentes como, charges, quadrinhos e xilogravuras, ainda que a fotografia e a pintura realista nos aproximam com mais intensidade e mimetismo da realidade dos objetos.
            Como suportes para o trabalho com o cordel serão utilizados os seguintes recursos:

Ø  A Internet: realizar pesquisas, utilização de softwares e divulgação do projeto no blog da escola;
Ø  O computador: para digitalização e formalização de trabalhos.
Ø  A TV, DVD e Data Show para introduzir assuntos relacionados ao tema abordado.
Ø  O Microfone e a caixa amplificada, utilizados para o incentivo a leitura.
Ø  A mídia impressa será o suporte maior desse projeto devido, ser um projeto para biblioteca e a ênfase maior será com o gênero literário impresso que é o cordel
Ø  O som e gravador, para gravar aulas com objetivo de mostrar a desenvoltura dos alunos em trabalhos orais.
Ø  O celular, com suas ens. interfaces se tornam um rico instrumento no contexto escolar devido se ter mais acessibilidade;
Ø  A impressora, para imprimir os trabalhos e dar suporte ao professor e aos alunos.
Ø  A imagem, pertencendo as fotografias, quadrinhos, desenhos, charges e tiras de jornais ao campo da imagem, a epistemologia das mídias visuais é importante porque proporcionará a você conceitos que permitirão trabalhar o seu caráter eminentemente educativo. Assim, em materiais impressos, as imagens são tão importantes quanto qualquer outra mídia.
Segundo o autor francês Jacques Aumont (1995), a imagem estabeleceu, basicamente, três relações com a realidade: simbólica, estética e epistêmica. No campo do simbólico, essa relação dá-se de forma convencional, a partir da representação de objetos significando coisas abstratas. No campo do estético, a imagem estabelece a relação dos homens com o mundo a partir de objetos, buscando sensações e encantamento no campo da beleza, como o cordel e outras mídias. No campo da esfera epistêmica, é relevante reconhecer aspectos como partes do mundo que vivemos, para conhecer determinada realidade ou personagens, para expressar em fotografias ou pinturas. Assim, a imagem torna-se campo de saber no qual podemos conhecer mitos, a história e outras culturas.


ATORES E PAPÉIS QUE DEVERÃO DESENPENHAR

PROFESSOR:
            O papel do professor é de fundamental relevância nesse projeto por atuar como mediador, orientador democrático e colaborativo ao lado dos alunos, professores e gestores, fomentando idéias, discussões de informações atualizadas baseadas nos pré-requisitos da leitura. Para isso, segundo Renata Junqueira de Souza, (2009, p 206), “é preciso que o professor bibliotecário busque respaldo nos autores da área de educação, entre eles: Paulo Freire (1996), Pedro Demo (2006) e Marcos T. Masetto (2006), (...) e não ouça apenas as vozes de profissionais formados em biblioteconomia.” O professor é desafiado a assumir uma postura ativa, capaz de criar estratégias citadas no projeto, que propicie o aluno a desenvolver processo de aprendizagem significativa.

ALUNO:
            É levado a refletir acerca dos temas em discussão, colaborando ativamente com a construção e reconstrução dos conhecimentos através de leituras, pesquisas. Ele precisa aprender a buscar e manusear fontes de informações no sentido mais amplo e exercitar a autoria e co-autoria para sua inserção no mundo letrado.

OS GESTORES:
            Seu papel é de suma relevância como gestão democrática aberta às inovações, mudanças, buscando e criando condições de suporte aos recursos tecnológicos e mecanismos de participação para que os diferentes autores sociais possam contribuir para participação efetiva no projeto.

ETAPAS E AÇÕES PARA REALIZAÇÃO DO PROJETO

N° DE
ORDEM
  
    ETAPAS
  
        AÇÕES
DURAÇÃO DAS ATIVIDADES DISTRIBUIDAS POR SEMANAS




01


Apresentação e sensibilização do tema
-Questionamentos a respeito do tema para adquirir conhecimentos prévios dos alunos;
- Fruição- O contato inicial dos alunos com os folhetos em corda para a apreciação de sua estrutura (imagens, formas, etc.).



X










      02


A história do cordel e localização nos mapas
- Apresentação da história do cordel em slide, seguida de discussão;
- Exibição da história de cordel com o titulo: A moça que dançou depois de morta;
- Localizar no mapa do Brasil onde a literatura do cordel é mais presente.





X







     03




Pesquisar sobre o tema
- Pesquisar na internet histórias de cordéis e cordelistas, utilizando os recursos de hipertextos e formatação.




X








    04
Contextualiza_
ção da cultura do cordel e sua gramática elementos fundamentais da literatura do cordel
- Apresentação de slide sobre a literatura do cordel com o titulo: Dona Chica, para contextualização do tema em questão com a exploração dos elementos gramaticais fundamentais da literatura de cordel através de slide.








X




   05



Entrevista com poetas da terra             e
 Escolha do tema
-Realização de uma entrevista com poetas da terra por perguntas feitas pelos alunos relacionadas ao cordel e a vida artística dos poetas.
-Produção de texto sobre a sua vida (aluno) ou outro tema, no qual, os alunos desenvolverão sua própria escrita, utilizando-se dos recursos literários do cordel que a ele foi repassado.










X




  




   06







Confecção de cordéis
- Os alunos com os textos já elaborados irão ilustrar de acordo com a sua narrativa;
- Confecção xilogravura no isopor;
- Aplicação do (s) carimbo (s) numa folha através da utilização de almofada de carimbo;
- Utilização da câmara digital para fotografar a capa ilustrada;
- Utilização do computador para digitação e formatação do texto construído de cordel e capa para a sua finalização.












X












    07



Culminância do projeto
- Exposição dos trabalhos elaborados pelos alunos, para comunidade escolar através de utilização de varais presos com prendedores de roupa para apreciação do público, cantoria de cordel e cartazes informativos sobre a literatura de cordel.










X

Observação: Este projeto será desenvolvido durante os meses de maio, junho e julho de 2012.



AVALIAÇÃO
“A ação avaliativa mediadora se desenvolve em beneficio ao educando e dá-se fundamentalmente pela proximidade entre quem educa e quem é educado” (Jussara Hoffmann, 1993, p191)

            A avaliação será realizada de forma criteriosa e processual em todas as suas etapas de acordo com o desenvolvimento das atividades propostas e servirá de referência ao professor e aluno, no sentido de subsidiar as intervenções em situações de aprendizagem, que possibilitem a construção progressiva do conhecimento no que se referem a conceitos, procedimentos e atitudes, além de favorecer os ajustes imediatos para garantir a continuidade do trabalho.

                                                              REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Célia Maria de, e ET al., Módulo Cordel, Curso de Especialização Mídias na Educação- SEDIS, Universidade Aberta do Brasil - UAB, Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN- Pólo de Caicó – RN, 2011.
ARAÚJO, Célia Maria de, e ET al., Módulo A Imagem na Mídia Impressa, Curso de Especialização Mídias na Educação- SEDIS, Universidade Aberta do Brasil - UAB, Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN- Pólo de Caicó – RN, 2011.
AUMONT, Jacques. A Imagem. Campinas: Papirus, 1995.
NÖTH, Winfried; SANTAELLA, Lucia. Imagem. 3. ed. São Paulo: Iluminuras, 2001. FOLHA Online. 
Imagem e realidade.
BAXANDALL, Michael. Padrões de intenção: a explicação histórica dos quadros. Companhia das Letras: São Paulo, 2006.
BORGES. J, A moça que dançou depois de morta.  Disponível  em: http://www.youtube.com/watch?v=9FA0Yupp_9A - Acesso em 22 de abril.
DEMO, Pedro, Leitores para sempre. Porto Alegre: Ed. Mediação, 2006.
DINIZ, Célia Regina; Iolanda Barbosa da Silva. Metodologia científica - A pesquisa e a iniciação científica na universidade – Campina Grande; Natal: UEPB/UFRN - EDUEP,
__________, Metodologia científica - Normalização na redação de trabalhos científicos – parte I – Campina Grande; Natal: UEPB/UFRN - EDUEP, 2008.2008.
__________, Metodologia científica - Normalização na redação de trabalhos científicos – parte II – Campina Grande; Natal: UEPB/UFRN - EDUEP, 2008.
__________, Metodologia científica - Normalização na redação de trabalhos científicos – parte III – Campina Grande; Natal: UEPB/UFRN - EDUEP, 2008.
__________, Metodologia científica - Redação do Projeto de Pesquisa – Campina Grande; Natal: UEPB/UFRN - EDUEP, 2008.
ESTADÃO, blog. http://blogs.estadao.com.br/estadinho/ - acesso em: 20/05/2012
FREIRE, Paulo, Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. (Coleção leitura). 34. Ed. São Paulo: Paz e terra, 1996.
HOFFMANN, Jussara Maria Lerch, Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade/ Jussara Maria Lerch Hoffmann. – Porto Alegre: Educação e Realidade, 1993.
 - Acesso em 22 de abril de 2012.
LEMES, Cláudia Regina. Poesias de Cordel como recurso interdisciplinar de ensino-Fonte: Internet
 LIRA, Joana. Cordel para iniciantes e iniciados. Mundo Jovem número 335 abril  de 2003. 
MASETTO, PONTES, Marcos Antonio M. T. (2000). “Mediação pedagógica e o uso da tecnologia”, in: MORAN, J.M.; MASETTO, M. T.; BEHRENS, M. A. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas: Papiros.
MÓDULO BÁSICO MATERIAL IMPRESSO. Programa de Formação Continuada Mídias na Educação - SEED/MEC
NORMAS DA ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas-2011-Fonte-Internet.
OLIVEIRA, Donzílio Luiz de, apud MONTEIRO, Manoel. Nordestinês – Linguagem paralela em literatura de cordel; Literatura de Cordel. Ilustrador Rômulo Geraldino – Brasília: Ensinamento Editora, pg. 03. 2011.
PROJETO POLITICO PEDAGOGICO, Escola Municipal Professor Arnaldo Arsênio de Azevedo-2011.
 PONTES, Marcos Antonio. A literatura de cordel como fonte de incentivo no ensino de literatura. Disponível em: http://www.pedagogiaaopedaletra.com/posts/a-literatura-de-cordel-como-fonte-de-incentivo-no-ensino-de-literatura/ - Acesso em 22 de abril de 2012.
SALES, Euriano, Um cordel de natal. Disponível em:  http://www.youtube.com/watch?v=ytiNpqKnSCQ - Acesso em 22 de abril de 2012.

SCHAEFFER, Jean-Marie. Imagem Precária. Campinas, SP : Papirus, 1996.
SILVA, Socorro. Slide Dona Chica. Projeto da Biblioteca Dr. Mauro Medeiros, 2010.
SOUSA, Renata Junqueira de, (organizadora), Biblioteca Escolar e Práticas Educativas/O Mediador em Formação - MEC/FNDE-Campinas, SP: Mercado de Letras, 2009.


ANEXOS

Vídeos a serem trabalhados
A moça que dançou depois de morta http://www.youtube.com/watch?v=Y3nUM08IR3g

Slides a serem trabalhados
A didática do cordel
A literatura do cordel
Dona Chica
Obs: Ver no PowerPoint

Texto Complementar

A estrutura da Métrica.
A evolução da literatura de cordel no Brasil não ocorreu de maneira harmoniosa. A oral, precursora da escrita, engatinhou penosamente em busca de forma estrutural. Os primeiros repentistas não tinham qualquer compromisso com a métrica e muito menos com o número de versos para compor as estrofes. Alguns versos alongavam-se inaceitavelmente, outros, demasiado breves. Todavia, o interlocutor respondia rimando a última palavra do seu verso com a última do parceiro, mais ou menos assim: Repentista A - O cantor que pegá-lo de revés Com o talento que tenho no meu braço... Repentista B - Dou-lhe tanto que deixo num bagaço
Só de murro, de soco e pontas-pé.
Parcela ou verso Parcela ou Verso de quatro sílabas
A parcela ou verso de quatro sílabas é o mais curto conhecido na literatura de cordel. A própria palavra não pode ser longa do contrário ela sozinha ultrapassaria os limites da métrica e o verso sairia de pé quebrado. A literatura de cordel por ser lida e ou cantada é muito exigente com questão da métrica. Vejamos uma estrofe de versos de quatro sílabas, ou parcelas.
Eu sou judeu
Para o duelo
Cantar martelo
Queria eu
O pau bateu
Subiu poeira
Aqui na feira
Não fica
Queimo a semente
Da bananeira.
Quando os repentistas cantavam parcela (sim, cantavam, porque esta modalidade caiu em desuso), os versos brotavam numa seqüência alucinante, cada um querendo confundir mais rápida mente o oponente. Esta modalidade é pré-galdiniana, não se conhecendo seu autor.

Verso de cinco sílabas
Já a parcela de cinco sílabas é mais recente, e não há registro de sua presença antes de Firmino Teixeira do Amaral, cunhado de Aderaldo Ferreira de Araújo, o Cego Aderaldo. A parcela de cinco sílabas era cantada também em ritmo acelerado, exigindo do repentista, grande rapidez de raciocínio. Na peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, da autoria de Firmino Teixeira do Amaral, encontramos estas estrofes:

Pretinho:
no sertão eu peguei
um cego malcriado
danei-lhe o machado
caiu, eu sangrei
o couro tirei
em regra de escala
espichei numa sala
puxei para um beco
depois dele seco
fiz dele uma mala
Cego:
Negro, és monturo
Molambo rasgado
Cachimbo apagado
Recanto de muro
Negro sem futuro
Perna de tição
Boca de porão
Beiço de gamela
Venta de moela
Moleque ladrão

Estas modalidades, entretanto, não foram as primeiras na literatura de cordel. Ao contrário, elas vieram quase um século depois das primeiras manifestações mais rudimentares que permitiram, inicialmente, as estrofes de quatro versos de sete sílabas.

Estrofes de quatro versos de sete sílabas

O Mergulhão quando canta
Incha a veia do pescoço
Parece um cachorro velho
Quando está roendo osso.
Não tenho medo do homem
Nem do ronco que ele tem
Um besouro também ronca
Vou olhar não é ninguém
A evolução desta modalidade se deu naturalmente. Vejamos a última estrofe de quatro versos acrescida de mais dois, formando a nossa atual e definitiva sextilha:
Meu avô tinha um ditado
meu pai dizia também:
não tenho medo do homem
nem do ronco que ele tem
um besouro também ronca
vou olhar não é ninguém.
Sextilhas
Agora, de posse da técnica de fazer sextilhas, e uma vez consagradas pelos autores, esta modalidade passou a ser a mais indicada para os longos poemas romanceados, principalmente a do exemplo acima, com o segundo, o quarto e o sexto versos rimando entre si, deixando órfãos o primeiro, terceiro e quinto versos. É a modalidade mais rica, obrigatória no início de qualquer combate poético, nas longas narrativas e nos folhetos de época. Também muito usadas nas sátiras políticas e sociais. É uma modalidade que apresenta nada menos de cinco estilos: aberto, fechado, solto, corrido e desencontrado. Vamos, pois, aos cinco exemplos:

Aberto:
Felicidade, és um sol
dourando a manhã da vida,
és como um pingo de orvalho
molhando a flor ressequida
és a esperança fagueira
da mocidade florida.
Fechado:
Da inspiração mais pura,
no mais luminoso dia,
porque cordel é cultura
nasceu nossa Academia
o céu da literatura,
a casa da poesia.
Solto:
Não sou rico nem sou pobre
não sou velho nem sou moço
não sou ouro nem sou cobre
sou feito de carne e osso
sou ligeiro como o gato
corro mais do que o vento.
Corrido:
Sou poeta repentista
Foi Deus quem me fez artista
Ninguém toma o meu fadário
O meu valor é antigo
Morrendo eu levo comigo
E ninguém faz inventário
Desencontrado:
Meu pai foi homem de bem
Honesto e trabalhador
Nunca negou um favor
Ao semelhante, também
Nunca falou de ninguém
Era um homem de valor.

Setilhas
Uma prova de que as setilhas são uma modalidade relativamente recente está na ausência quase completa delas na grande produção de Leandro Gomes de Barros. Sim, porque pela beleza rítmica que essas estrofes oferecem ao declamador, os grandes poetas não conseguiram fugir à tentação de produzi-las. Para alguns, as setilhas, estrofes de sete versos de sete sílabas, foram criadas por José Galdino da Silva Duda, 1866 - 1931. A verdade é que o autor mais rico nessas composições, talvez por se tratar do maior humorista da literatura, de cordel, foi José Pacheco da Rocha, 1890 - 1954. No poema A CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO, do inventivo poeta pernambucano, encontra estas estrofes:

Vamos tratar da chegada
quando Lampião bateu
um moleque ainda moço
no portão apareceu.
- Quem é você, Cavalheiro -
- Moleque, sou cangaceiro -
Lampião lhe respondeu.
- Não senhor - Satanás, disse
vá dizer que vá embora
só me chega gente ruim
eu ando muito caipora
e já estou com vontade
de mandar mais da metade
dos que tem aqui pra fora.
Moleque não, sou vigia
e não sou o seu parceiro
e você aqui não entra
sem dizer quem é primeiro
- Moleque, abra o portão
saiba que sou Lampião
assombro do mundo inteiro.

Excelente para ser cantada nas reuniões festivas ou nas feiras, esta modalidade é, ainda hoje, muito usada pelos cordelistas. Esta modalidade é, também, usada em vários estilos de mourão, que pode ser cantado em seis, sete, oito e dez versos de sete sílabas.
Exemplos:
Cantador A
- Eu sou maior do que Deus
maior do que Deus eu sou
Cantador B
- Você diz que não se engana
mas agora se enganou
Cantador A
- Eu não estou enganado
eu sou maior no pecado
porque Deus nunca pecou.
Ou com todos os versos rimados, a exemplo das sextilhas explicadas antes:
Cantador A -
Este verso não é seu
você tomou emprestado
Cantador B -
Não reclame o verso meu
que é certo e metrificado
Cantador A -
Esse verso é de Noberto
Se fosse seu estava certo
como não é está errado.
Oito pés de quadrão ou Oitavas
Os oito pés de quadrão, ou simplesmente oitavas, são estrofes de oito versos de sete sílabas. A diferença dessas estrofes de cunho popular para as de linha clássica é apenas a disposição das rimas. Vejam como o primeiro e o quinto versos desta oitava de Casimiro de Abreu (1837 - 1860) são órfãos:
Como são belos os dias
Do despontar da existência
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar - é lago sereno,
O Céu - Um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida um hino de amor.
Na estrofe popular aparecem os primeiros três versos rimados entre si; também o quinto, o sexto e o sétimo, e finalmente o quarto com o último, não havendo, portanto um único verso órfão. Assim:
Diga Deus Onipotente
Se é você, realmente
Que autoriza, que consente
No meu sertão tanta dor
Se o povo imerso no lodo
apregoa com denodo
que seu coração é todo
De luz, de paz e de amor.

Décimas
As décimas, dez versos de sete sílabas, são, desde sua criação no limiar do nosso século, as mais usadas pelos poetas de bancada e pelos repentistas. Excelentes para glosar motes, esta modalidade só perde para as sextilhas, especialmente escolhidas para narrativas de longo fôlego. Ainda assim, entre muitos exemplos, as décimas foram escolhidas por Leandro Gomes de Barros para compor o longo poema épico de cavalaria A BATALHA DE OLIVEIROS COM FERRABRAZ, baseado na obra do imperador francês Carlos Magno:
Eram doze cavalheiros
Homens muito valorosos
Destemidos, corajosos
Entre todos os Guerreiros
Como bem fosse Oliveiros
um dos pares de fiança
Que sua perseverança
Venceu todos os infiéis
Eram uns leões cruéis
Os doze pares de França.

Martelo Agalopado
O Martelo agalopado, estrofe dez versos de dez sílabas, é uma das modalidades mais antigas na literatura de cordel. Criada pelo professor Jaime Pedro Martelo (1665 - 1727), as martelianas não tinham, como o nosso martelo agalopado, compromisso com o número de versos para a composição das estrofes. Alongava-se com rimas pares, até completar o sentido
desejado. Como exemplo, vejamos estes alexandrinos:

"Visitando Deus a Adão no Paraíso
achou-o triste por viver no abandono,
fê-lo dormir logo um pesado sono
e lhe arrancou uma costela, de improviso
estando fresca ficou Deus indeciso
e a pôs ao Sol para secar um momento
mas por causa, talvez dum esquecimento
chegou um cachorro e a carregou,
nessa hora furioso Deus ficou
com a grande ousadia do animal
que lhe furtara o bom material
feito para a construção da mulher,
estou certo, acredite quem quiser
eu não sou mentiroso nem vilão,
nessa hora correu Deus atrás do cão
e não podendo alcançar-lhe e dá-lhe cabo
cortou-lhe simplesmente o meio rabo
e enquanto Adão estava na trevas
Deus pegou o rabo do cão e fez a Eva."

Com tamanha irresponsabilidade, totalmente inaceitável na literatura de cordel, o estilo mergulhou, desde o desaparecimento do professor Jaime Pedro Martelo em 1727, em completo esquecimento, até que em 1898, José Galdino da Silva Duda dava à luz feição definitiva ao nosso atual martelo agalopado, tão querido quanto lindo. Pedro Bandeira não nos deixa mentir:

Admiro demais o ser humano
que é gerado num ventre feminino
envolvido nas dobras do destino
e calibrado nas leis do Soberano
quando faltam três meses para um ano
a mãe pega a sentir uma moleza
entre gritos lamúrias e esperteza
nasce o homem e aos poucos vai crescendo
e quando aprende a falar já é dizendo:
quanto é grande o poder da Natureza.
Há, também, o martelo de seis versos, como sempre, refinado, conforme veremos nesta estrofe:
Tenho agora um martelo de dez quinas
fabricado por mãos misteriosas
enfeitado de pedras cristalinas
das mais raras, bastante preciosas,
foi achado nas águas saturninas
pelas musas do céu, filhas ditosas.

Galope à Beira Mar
Com versos de onze sílabas, portanto mais longos do que os de martelo agalopado, são os de galope à beira mar, como estes da autoria de Joaquim Filho:

Falei do sopapo das águas barrentas
de uma cigana de corpo bem feito
da Lua, bonita brilhando no leito
da escuridão das nuvens cinzentas
do eco do grande furor das tormentas
da água da chuva que vem pra molhar
do baile das ondas, que lindo bailar
da areia branca, da cor de cambraia
da bela paisagem na beira da praia
assim é galope na beira do mar.
Logicamente que há o galope alagoano, à feição de martelo agalopado, com dez versos de dez sílabas cuja diferença única é a obrigatoriedade do mote: "Nos dez pés de galope alagoano".

Meia Quadra

Outra interessante modalidade é a Meia Quadra ou versos de quinze sílabas. Não sabemos porque se convencionou chamar de meia quadra, quando poderia, muito bem, se chamar de quadra e meia ou até de quadra dupla. As rimas são emparelhadas e os versos, assim compostos:

Quando eu disser dado é dedo você diga dedo é dado
Quando eu disser gado é boi você diga boi é gado
Quando eu disser lado é banda você diga banda é lado
Quando eu disser pão é massa você diga massa é pão

Quando eu disser não é sim você diga sim é não
Quando eu disser veia é sangue você diga sangue é veia
Quando eu disser meia quadra você diga quadra e meia
Quando eu disser quadra e meia você diga meio quadrão.

A classificação da literatura de cordel há sido objeto da preocupação dos chamados iniciados, pesquisadores e estudiosos. As classificações mais conhecidas são a francesa de Robert Mandrou, a espanhola de Julio Caro Baroja, as brasileiras de Ariano Suassuna, Cavalcanti Proença, Orígenes Lessa, Roberto Câmara Benjamin e Carlos Alberto Azevedo. Mas a classificação autenticamente popular nasceu da boca dos próprios poetas.

No limiar do presente século, quando já brilhava intensamente à luz de Leandro Gomes de Barros, fluía abundante o estro de Silvino Pirauá e jorrava preciosa a veia poética de José Galdino da Silva Duda. Esses enviados especiais passaram a dominar com facilidade a rima escorregadia, amoldando, também, no corpo da estrofe o verso rebelde. Era o início de uma literatura tipicamente nordestina e por extensão, brasileira, não havendo mais, nos nossos dias, qualquer vestígio da herança peninsular.
Atualmente a literatura de cordel é escrita em composições que vão desde os versos de quatro ou cinco sílabas ao grande alexandrino. Até mesmo os princípios conservadores defendidos pelos nossos autores ortodoxos referem-se a uma tradição brasileira e não portuguesa ou espanhola. Os textos dos autores contemporâneos apresentam um cuidado especial com a uniformização ortográfica, com o primor das rimas, com a beleza rítmica e com a preciosidade sonora.





As diferenças entre repente, literatura de cordel e embolada.
Repente: no Brasil, a tradição medieval ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores – ou seja, poetas populares que vão de região em região, com a viola nas costas para cantar os seus versos. Eles aparecem nas formas da trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Ao contrário dos outros, esse ultimo se caracteriza pelo improviso – os cantadores fazem os versos "de repente", em um desafio com outro cantador, não importa a beleza da voz ou afinação o que vale é o ritmo e a agilidade mental que permita encurralar o adversário apenas com a força do discurso.
A métrica do repente varia, bem como a organização dos versos: temos a sextilha (estrofe de seis versos, em que o primeiro rima com o terceiro e o quinto, o segundo rima com o quarto e sexto), a sepetilha (sete versos em que o primeiro e o terceiro são livres, o segundo rima com o quarto e o sétimo e o quinto rima com o sexto) e variações mais complexas com o martelo, o martelo alagoano, o galope beira mar e tantas outras. Os instrumentos desses improvisos cantados também variam: daí que o gênero pode ser subdivididos em emboladas (na qual o cantador toca pandeiro ou ganzá), o aboio (apenas com a voz) e a cantoria de viola.
Cordel: A literatura de cordel é assim chamada pela forma como são vendidos os folhetos pendurados em barbantes (cordões) nas feiras, mercados, praças e bancas de jornais, principalmente nas cidades do interior e nos subúrbios das grandes cidades. Essa denominação foi dada pelos intelectuais e é como aparece em alguns dicionários. O povo se refere a literatura de cordel apenas como folheto.
Embolada: Canto geralmente improvisado com refrão fixo para o desafio de dois emboladores que se "enfrentam" de maneira semelhante aos repentistas da viola – a diferença é que, na embolada, o instrumento é o pandeiro. Muito comum no litoral nordestino. "A briga" se dá em forma de sextilha. Também é comum um único embolador se apresentar para uma roda de curiosos – neste caso, o poeta usa seus versos para satirizar a platéia, mas sem agredi-la, e pedir dinheiro.

"A história de Joana”
Preste atenção, amigo
Na história que eu vou contar
Não aconteceu comigo
Mas você pode se identificar
Trata-se de um amor não correspondido
Uma paixão de matar...
Era uma vez uma menina
Seu nome era Joana
Por todos era querida
Menos pelo menino que ama
Ela muito sofria
Porém ele não a correspondia
Ela fazia de tudo
Mas ele não a notava
Suas amigas diziam para esquecer
O menino que tanto amava
Mas ela não conseguia
Tirá-lo do coração
Toda vez que o via
Suspirava de emoção
Ele a ignorava
E ela morria de paixão
E um dia então
Ela resolveu se declarar
Falar pra ele quanto o amava
Já não agüentava mais se calar
Foi cheia de esperança
Se ele quisesse namorar. Ficar
Pelo menos tentar
Para ver no que dá
Chegou acanhada
A vergonha teve que engolir
Quando ela terminou
Ele postou-se a rir
E para todos falou
"Olhem só essa garota
O que veio me dizer
Que me ama imensamente
Ora, tenho mais o que fazer
Saia logo daqui
Posso ter melhores que você"
Todos riram dela
E Joana começou a chorar
Foi saindo de fininho
Andando bem devagar
Ela queria para sempre
Aquela cena apagar
Mas não conseguiu esquecer
A humilhação que passou
Um ódio começou a nascer
E então ela se vingou
Uma raiva enorme tomou conta
No lugar daquele amor
No outro dia, no intervalo
Todo mundo se calou
Quando ela apareceu
Uma arma sacou
E apontara para Mateus
O menino que tanto amou
Aos prantos começou a gritar
Estavam todos espantados
Não sabiam o que falar
Ela, então, começou a se pronunciar
Falou alto e claro e em claro tom
Para que todos pudessem escutar
Todos guardaram suas palavras
As quais irei lhes relatar
"Posso não ser o que você espera
Mais sou muito mais do que merece
Me arrependo por tê-lo amado tanto
Um garoto que não vale uma lágrima do meu pranto
Você me fez de idiota
Eu, a menina que mais lhe amou
Agora, olhe sua condição
Sua vida está em minha mão"
Mateus não sabia o que fazer
Mais não teve tempo para pensar
Joana não o perdoou.
COMO FAZER AS XILOGRAVURAS
Cordel no Estadinho
Thais Cerâmico tem publicado algumas matérias bem legais sobre Cordel no Estadinho:


Aqui, um trecho da matéria Faça sua gravura, que mostra uma técnica muito parecida com a que usamos em nossas oficinas de xilogravura em escolas:

Como a arte não tem limites, convidamos a artista plástica e educadora Fernanda Simionato para ensinar aqui uma técnica incrível e muito simples de fazer. É a gravura alternativa, um jeito que “imita” a xilogravura, mas na verdade é uma impressão feita com isopor.
Você vai precisar de:- Guache de várias cores- Folhas brancas e coloridas- Pincéis- Um rolinho de espuma- Tesoura- Bandejinhas de isopor (daquelas de frios)- Palito de churrasco ou lápis
Agora veja, passo a passo, como é fácil e divertido!

Passo 1:
Tire as bordas da bandejinha. Depois, desenhe o que quiser com um palito de churrasco ou um lápis. Você não precisa marcar os traços com cor (aí na foto a cor preta aparece apenas para sinalizar os traços para você, aqui nas instruções). O que você precisa fazer é afundar bem o palito, ou o lápis para fixar o desenho no isopor.
Passo 2:
Com a ajuda do rolinho de espuma, espalhe o guache por toda a bandeja.
Passo 3:

Depois de ter preenchido a bandeja inteirinha, pegue uma folha e a pressione, com as mãos, sobre a parte pintada. Devagar, puxe a folha e veja como a impressão sai perfeita, como se fosse mesmo uma xilo.

Passo 4:
Se quiser inventar ainda mais, corte as bordas em triângulos e, com o pincel, pinte cada parte de uma cor.

Passo 5:
 Faça o mesmo processo de puxar o papel devagar e veja que figura diferente você criou!

Passo 6:
 Também dá para pintar tudo de uma cor só e imprimir em um papel colorido! Crie, invente, faça o que quiser e encha sua casa de cores! Para secar bem, você pode espalhar pela mesa ou, quem sabe, pendurar no varal como se fosse uma exposição de xilo. Divirta-se!



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